quarta-feira, 5 de maio de 2010

Aprender Brincando: O Lúdico na Aprendizagem

Aprender Brincando: O Lúdico na Aprendizagem
Autora: Juliana Tavares Maurício

RESUMO
O presente estudo teve como objetivo analisar a relação do ludico como facilitador da aprendizagem na sala de aula. Para alcançarmos tais objetivos e conseguirmos as informações e dados necessários, foi utilizado um questionario semi-estruturado, que foram aplicados em 26 professores que lecionam da 1ª a 4ª série. Foi possível mostrar o quanto o “lúdico” pode ser um instrumento indispensável na aprendizagem, no desenvolvimento e na vida das crianças, tornar evidente que os professores e futuros professores devem e precisam tomar consciência disso, saber se os professores atuantes têm conhecimento de alguns conceitos, como o “lúdico” e a “brinquedoteca” e muitas outras questões sobre a relação do brincar com a aprendizagem e o desenvolvimento da criança. A partir disso, mostraremos a importância do “lúdico” e como ele, os jogos, os brinquedos e as brincadeiras podem ser importantes para o desenvolvimento e para a aprendizagem das crianças. De acordo com os dados obtidos, constatamos que o lúdico exerce um papel importante na aprendizagem das crianças, onde 96,1% dos professores responderam que é possível reunir dentro da mesma situação o brincar e o educar. Identificamos que 76,92% dos professores possuem conhecimentos acerca do tema. A partir do exposto concluiu que a maioria dos professores “obtém” certo conhecimento sobre o tema, porém observamos a necessidade tanto nas escolas públicas quanto provadas, uma maior conscientização no sentido de desmistificar o papel do “brincar”, que não é apenas um mero passatempo, mas sim objeto de grande valia na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças.

INTRODUÇÃO
Este trabalho visa relatar os dados obtidos através da realização de uma pesquisa sobre o tema Aprender brincando: o lúdico na aprendizagem, que foi realizada com vinte e seis professores, de ambos os sexos, sendo dois do sexo masculino e vinte e quatro do sexo feminino, em escolas particulares e públicas, com o objetivo de coletar dados a respeito da importância do lúdico como facilitador da aprendizagem.
A ludicidade é assunto que tem conquistado espaço no panorama nacional, principalmente na educação infantil, por ser o brinquedo a essência da infância e seu uso permitirem um trabalho pedagógico que possibilita a produção do conhecimento, da aprendizagem e do desenvolvimento.
Independentemente de época, cultura e classe social, os jogos e brinquedos fazem parte da vida da criança, pois elas vivem em um mundo de fantasia, de encantamento, de alegria, de sonhos onde a realidade e o faz-de-conta se confundem, apesar de a história de antigas civilizações mostrar o contrário, fazendo o brincar se transformar em pecado.
Nas sociedades de mudanças aceleradas em que vivemos, somos sempre levados a adquirir competências novas, pois é o individuo a unidade básica de mudança. A utilização de brincadeiras e jogos no processo pedagógico faz despertar o gosto pela vida e leva as crianças a enfrentarem os desafios que lhe surgirem. Esta pesquisa irá mostrar o quanto o “lúdico” pode ser um instrumento indispensável na aprendizagem, no desenvolvimento e na vida das crianças, tornar evidente que os professores e futuros professores devem e precisam tomar consciência disso, saber se os professores atuantes têm conhecimento de alguns conceitos, como o “lúdico” e a “brinquedoteca” e muitas outras questões sobre a relação do brincar com a aprendizagem e o desenvolvimento da criança.
A escolha do tema justifica-se pelo fato de que os resultados da educação, apesar de todos os seus projetos, continuam insatisfatórios, percebendo-se a necessidade de mudanças no âmbito educacional. Nesse sentido o lúdico pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento do ser humano, seja ele de qualquer idade, auxiliando não só na aprendizagem, mas também no desenvolvimento social, pessoal e cultural, facilitando no processo de socialização, comunicação, expressão e construção do pensamento. Vale ressaltar, porém, que o lúdico não é a única alternativa para a melhoria no intercambio ensino-aprendizagem, mas é uma ponte que auxilia na melhoria dos resultados por parte dos educadores interessados em promover mudanças.
A partir disso, vamos tornar evidente a importância do “lúdico” e como ele, os jogos, os brinquedos e as brincadeiras podem ser importantes para o desenvolvimento e para a aprendizagem das crianças.

I APRENDER BRINCANDO: O LÚDICO NA APRENDIZAGEM
Neste trabalho iremos explanar algumas definições importantes acerca do jogo no processo de aprendizagem, diferenciar o jogo, da brincadeira e do brinquedo, mostrando sua importância, e discorrer sobre a importância do lúdico no processo de ensino-aprendizagem.
1.1 O jogo no processo de aprendizagem
O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde física, emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempo. Através deles, a criança desenvolvem a linguagem, o pensamento, a socialização, a iniciativa e a auto-estima, preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor. O jogo, nas suas diversas formas, auxilia no processo ensino-aprendizagem, tanto no desenvolvimento psicomotor, isto é, no desenvolvimento da motricidade fina e ampla, bem como no desenvolvimento de habilidades do pensamento, como a imaginação, a interpretação, a tomada de decisão, a criatividade, o levantamento de hipóteses, a obtenção e organização de dados e a aplicação dos fatos e dos princípios a novas situações que, por sua vez, acontecem quando jogamos, quando obedecemos a regras, quando vivenciamos conflitos numa competição, etc. (CAMPOS)
Segundo PIAGET (1967)citado por , “o jogo não pode ser visto apenas como divertimento ou brincadeira para desgastar energia, pois ele favorece o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e moral”. Através dele se processa a construção de conhecimento, principalmente nos períodos sensório-motor e pré-operatório. Agindo sobre os objetos, as crianças, desde pequenas, estruturam seu espaço e seu tempo, desenvolvendo a noção de casualidade, chegando à representação e, finalmente, à lógica. As crianças ficam mais motivadas para usar a inteligência, pois querem jogar bem, esforçam-se para superar obstáculos tanto cognitivos como emocionais.
O jogo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos, ao contrário, corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de extraordinária importância na educação escolar. Estimula o crescimento e o desenvolvimento, a coordenação muscular, as faculdades intelectuais, a iniciativa individual, favorecendo o advento e o progresso da palavra. Estimula a observar e conhecer as pessoas e as coisas do ambiente em que se vive. Através do jogo o indivíduo pode brincar naturalmente, testar hipóteses, explorar toda a sua espontaneidade criativa. O jogo é essencial para que a criança manifeste sua criatividade, utilizando suas potencialidades de maneira integral. É somente sendo criativo que a criança descobre seu próprio eu (TEZANI, 2004).
O jogo é mais importante das atividades da infância, pois a criança necessita brincar, jogar, criar e inventar para manter seu equilíbrio com o mundo. A importância da inserção e utilização dos brinquedos, jogos e brincadeiras na prática pedagógica é uma realidade que se impõe ao professor. Brinquedos não devem ser explorados só para lazer, mas também como elementos bastantes enriquecedores para promover a aprendizagem. Através dos jogos e brincadeiras, o educando encontra apoio para superar suas dificuldades de aprendizagem, melhorando o seu relacionamento com o mundo. Os professores precisam estar cientes de que a brincadeira é necessária e que traz enormes contribuições para o desenvolvimento da habilidade de aprender e pensar. (CAMPOS)
1.2 Brinquedo, brincadeira e jogo
Em todos os tempos, para todos os povos, os brinquedos evocam as mais sublimes lembranças. São objetos mágicos, que vão passando de geração a geração, com um incrível poder de encantar crianças e adultos. (VELASCO, 1996)
Diferindo do jogo, o brinquedo supõe uma relação intima com a criança e uma indeterminação quanto ao uso, ou seja, a ausência de um sistema de regras que organizam sua utilização. (KISHIMOTO, 1994)
O brinquedo contém sempre uma referência ao tempo de infância do adulto com representações vinculadas pela memória e imaginações. O vocábulo “brinquedo” não pode ser reduzido à pluralidade de sentidos do jogo, pois conota a criança e tem uma dimensão material, cultural e técnica. Enquanto objeto, é sempre suporte de brincadeira.
O brinquedo é a oportunidade de desenvolvimento. Brincando, a criança experimenta, descobre, inventa, aprende e confere habilidades. Além de estimular a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia, proporcionam o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração e da atenção.
O brinquedo traduz o real para a realidade infantil. Suaviza o impacto provocado pelo tamanho e pela força dos adultos, diminuindo o sentimento de impotência da criança. Brincando, sua inteligência e sua sensibilidade estão sendo desenvolvidas. A qualidade de oportunidade que estão sendo oferecidas à criança através de brincadeiras e de brinquedos garante que suas potencialidades e sua afetividade se harmonizem.
Para Vygotsky (1994) citado por OLIVEIRA, DIAS, ROAZZI (2003), o prazer não pode ser considerado a característica definidora do brinquedo, como muitos pensam. O brinquedo na verdade, preenche necessidades, entendendo-se estas necessidades como motivos que impelem a criança à ação. São exatamente estas necessidades que fazem a criança avançar em seu desenvolvimento.
A brincadeira é alguma forma de divertimento típico da infância, isto é, uma atividade natural da criança, que não implica em compromissos, planejamento e seriedade e que envolve comportamentos espontâneos e geradores de prazer. Brincando a criança se diverte, faz exercícios, constrói seu conhecimento e aprende a conviver com seus amiguinhos.
A brincadeira transmitida à criança através de seus próprios familiares, de forma expressiva, de uma geração a outra, ou pode ser aprendida pela criança de forma espontânea (MALUF,2003).
É a ação que a criança desempenha ao concretizar as regras de jogo, ao mergulhar na ação lúdica. Pode-se dizer que é o lúdico em ação. Dessa forma brinquedo e brincadeira relacionam-se diretamente com a criança e não se confundem com o jogo (KISHMOTO, 1994).
Para a criança, a brincadeira gira em torno da espontaneidade e da imaginação. Não depende de regras, de formas rigidamente estruturadas. Para surgir basta uma bola, um espaço para correr ou um risco no chão (VELASCO, 1996).
Segundo VYGOTSKY, a brincadeira possui três características: a imaginação, a imitação e a regra. Elas estão presentes em todos os tipos de brincadeiras infantis, tanto nas tradicionais, naquelas de faz-de-conta, como ainda nas que exigem regras (BERTOLDO, RUSCHEL).
A brincadeira não é um mero passatempo, ela ajuda no desenvolvimento das crianças, promovendo processos de socialização e descoberta do mundo (MALUF, 2003).
O jogo pode ser visto como: resultado de um sistema lingüístico que funciona dentro de um contexto social; um sistema de regras e um objeto.
No primeiro caso, o sentido do jogo depende da linguagem de cada contexto social. Enquanto fato social, o jogo assume a imagem, o sentido que cada sociedade lhe atribui. É este aspecto que nos mostra porque, dependendo do lugar e da época, os jogos assumem significações distintas.
No segundo caso, um sistema de regras permite identificar, em qualquer jogo, uma estrutura seqüencial que especifica sua modalidade. Tais estruturas seqüenciais de regras permitem diferenciar cada jogo, ou seja, quando alguém joga, esta executando as regras do jogo e, ao mesmo tempo, desenvolvendo uma atividade lúdica. O terceiro sentido refere-se ao jogo enquanto objeto.
Os três aspectos citados permitem uma primeira compreensão do jogo, diferenciando significados atribuídos por culturas diferentes, pelas regras e objetos que o caracterizam.
Através do jogo a criança: libera e canaliza suas energias; tem o poder de transformar uma realidade difícil; propicia condições de liberação da fantasia; é uma grande fonte de prazer. O jogo é, por excelência, integrador, há sempre um caráter de novidade, o que é fundamental para despertar o interesse da criança, e à medida em que joga ela vai conhecendo melhor, construindo interiormente o seu mundo. Esta atividade é um dos meios propícios à construção do conhecimento.
1.3 A importância do lúdico na aprendizagem
O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. Se se achasse confinado a sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar, ao brincar, ao movimento espontâneo. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. As implicações da necessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo. (ALMEIDA)
O Lúdico apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana. Assim, na idade infantil e na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica. A criança e mesmo o jovem opõe uma resistência à escola e ao ensino, porque acima de tudo ela não é lúdica, não é prazerosa. (NEVES)
Segundo PIAGET, o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico. Ela precisa brincar para crescer, precisa do jogo como forma de equilibração com o mundo (BARROS).
Para VITAL DIDONET “é uma verdade que o brinquedo é apenas um suporte do jogo, do brincar, e que é possível brincar com a imaginação. Mas é verdade, também, que sem o brinquedo é muito mais difícil realizar a atividade lúdica, porque é ele que permite simular situações”. (BERTOLDO, RUSCHEL)
A ludicidade, tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores, pois é o espaço para expressão mais genuína do ser, é o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com o mundo, com as pessoas e com os objetos.
O lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo, integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade. Através da atividade lúdica e do jogo, a criança forma conceitos, seleciona idéias, estabelece relações lógicas, integra percepções, faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e, o que é mais importante, vai se socializando.
A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas, bem como relacioná-la as demais produções culturais e simbólicas conforme procedimentos metodológicos compatíveis a essa prática.
De acordo com Nunes, a ludicidade é uma atividade que tem valor educacional intrínseco, mas além desse valor, que lhe é inerente, ela tem sido utilizada como recurso pedagógico. Segundo Teixeira 1995 (apud NUNES), várias são as razões que levam os educadores a recorrer às atividades lúdicas e a utilizá-las como um recurso no processo de ensino-aprendizagem:
• As atividades lúdicas correspondem a um impulso natural da criança, e neste sentido, satisfazem uma necessidade interior, pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica;
• O lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforço espontâneo.
Ele é considerado prazeroso, devido a sua capacidade de absorver o indivíduo de forma intensa e total, criando um clima de entusiasmo. É este aspecto de envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional, capaz de gerar um estado de vibração e euforia. Em virtude desta atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola, a ludicidade é portadora de um interesse intrínseco, canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução de seu objetivo. Portanto, as atividades lúdicas são excitantes, mas também requerem um esforço voluntário;
• As situações lúdicas mobilizam esquemas mentais. Sendo uma atividade física e mental, a ludicidade aciona e ativa as funções psico-neurológicas e as operações mentais, estimulando o pensamento.
Em geral, o elemento que separa um jogo pedagógico de um outro de caráter apenas lúdico é este: desenvolve-se o jogo pedagógico com a intenção de provocar aprendizagem significativa, estimular a construção de novo conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória, ou seja, o desenvolvimento de uma aptidão ou capacidade cognitiva e apreciativa específica que possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo nos fenômenos sociais e culturais e que o ajude a construir conexões. (NUNES)

II MATERIAL E METODOS
2.1 População e Amostra
A pesquisa foi realizada com a participação 26 professores que lecionam da 1ª a 4ª série, de três escolas particulares e três escolas públicas, onde foram entrevistados, 17 professores de escolas particulares, e 9 professores de escolas públicas do município de João Pessoa, de ambos os sexos, com idade variando entre 19 e 52 anos.
2.2 Instrumento
Para alcançarmos os objetivos da pesquisa, e conseguirmos as informações e dados necessários, será indispensável à utilização de alguns procedimentos, que são a consulta bibliográfica, pois precisamos obter embasamento teórico a fim de nos aprofundarmos sobre o tema escolhido, e a aplicação de questionários semi-estruturados, contendo quatro questões subjetivas e cinco questões objetivas. Para que assim possamos obter a opinião, e averiguar o nível de conhecimento sobre o assunto abordado, dos professores atuantes no campo de trabalho relacionado à educação infantil.
2.3 Local da Pesquisa
A pesquisa foi realizada em três escolas públicas e três escolas particulares da cidade de João Pessoa.
III ANALISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Utilizamos como instrumento de pesquisa um questionário, para a obtenção dos dados, contendo questões objetivas e subjetivas, contemplando aspectos como a importância do lúdico, o que os professores utilizam em sala de aula, e se os mesmos acreditam no significado do aprender brincando. Os dados foram elaborados através do programa Microsoft Word. Onde obtivemos os dados abaixo citados:
Utilizando como conceito de lúdico como sendo: “A palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar. Neste brincar estão incluídos os jogos, brinquedos e divertimento e é relativa também à conduta daquele que joga, brinca e que se diverte”.
Pode-se observar que dos 26 entrevistados 76,92% responderam que o lúdico está relacionado com o jogo, brinquedo ou brincadeira; 11,53% das respostas foram consideradas não significativas de acordo com os autores aqui citados a respeito do que seria o lúdico; 7,69% responderam que o lúdico está relacionado com o diferenciamento entre cores e formas e 3,84% relacionaram o lúdico com a criatividade e a imaginação.
De acordo com as respostas obtidas, foi possível observar que 88,4% dos entrevistados responderam que Sim, que existe um espaço determinado para a utilização de brincadeiras, e 11,6% disserem que Não existe espaço.
Das vinte e seis pessoas, 84,6% responderam que as brincadeiras mais freqüentes na escola são os jogos educativos, que incluem massinha de modelar, ábaco, dominó, dama, jogos matemáticos, quebra-cabeça e jogos de memória. 34,6% citaram artes, 30,7% disseram amarelinha; 26,9% Educação física e 23,07% citaram Música.
Utilizamos como conceito de brincadeira para melhor relacionar as respostas, como sendo “A brincadeira é alguma forma de divertimento típico da infância, isto é, uma atividade natural da criança, que não implica em compromissos, planejamento e seriedade, e que ajuda no desenvolvimento e na socialização” (VELASCO e KISHMOTO).
Tendo em vista que o termo brincadeira é muito amplo e dá margem a várias definições, não foi possível categorizar as definições. Porém, escolhemos aleatoriamente três respostas significativas para comparar com as definições dos autores escolhidos: “ A brincadeira é uma atividade que deve fazer parte do cotidiano da criança para que ela possa ter um desenvolvimento motor e social sadio”; “ Brincar é aprender a se relacionar com os colegas e a descobrir o mundo à sua volta”; “Uma forma de levar as crianças a desopilarem e de desenvolver a sua capacidade mental e corporal.”
De acordo com os autores estudados a Brinquedoteca “É o espaço criado com o objetivo de proporcionar estímulos para que a criança possa brincar livremente” (SANTOS, 1999). Para categorizar as respostas utilizamos como base o conceito citado acima.
Dos vinte e seis entrevistados 92,4% respondeu que a Brinquedoteca é um espaço onde a criança brinca; 3,8% responderam que estaria voltado para a preparação dos professores e 3,8% das pessoas não soube responder.
Em grau de importância, 61,5% dos entrevistados, responderam que a brincadeira tem grau importantíssimo na aprendizagem da criança; 30,8% responderam que é muito importante a brincadeira e 7,7% disse ser importante.
De acordo com as respostas obtidas, 80,8% dos professores responderam que seus alunos brincam muito na escola; 7,7% disseram que eles brincam às vezes; 3,8% responderam que brincam muito pouco, 3,8% brincam muitíssimo e 3,8% responderam que as crianças brincam pouco na escola.
Em relação se o jogo deveria estar presente nas fases do desenvolvimento da criança, 88,5% dos entrevistados responderam que Sim e 11,5% responderam que não devem estar presente. Por ultimo, dos entrevistados 96,1% responderam que seria possível reunir em uma mesma situação o brincar e o educar, enquanto que 3,9% responderam que às vezes é possível reuni-los.

IV CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Pesquisa realizada sobre “Aprender Brincando: o lúdico na aprendizagem” foi de grande importância, enriquecendo nossa vida acadêmica e nosso futuro profissional.
De acordo com os dados obtidos a partir da visão dos entrevistados, constatamos que o lúdico exerce um papel importante na aprendizagem das crianças, onde 96,1% dos professores responderam que é possível reunir dentro da mesma situação o brincar e o educar.
Verificamos, além disso, que 88,4% dos entrevistados afirmaram a existência de um espaço determinado para a utilização de brincadeiras na escola. E por fim, identificamos que 76,92% dos professores possuem uma percepção adequada em relação ao lúdico de acordo com os autores pesquisados.
A partir do exposto pudemos concluir que a maioria dos professores “obtém” certo conhecimento sobre o tema, porém observamos ainda que é necessário tanto nas escolas públicas quanto provadas, uma maior conscientização no sentido de desmistificar o papel do “brincar”, que não é apenas um mero passatempo, mas sim um objeto de grande valia na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças.
Sendo assim a escola e, principalmente, a educação infantil deveria considerar o lúdico como parceiro e utiliza-lo amplamente para atuar no desenvolvimento e na aprendizagem da criança.
V. REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Anne. Ludicidade como instrumento pedagógico. Disponível em: http://www.cdof.com.br/recrea22.htm. Acesso no dia 19 de fevereiro de 2006.
BERTOLDO, Janice Vida; RUSCHEL, Maria Andrea de Moura. Jogo, Brinquedo e Brincadeira - Uma Revisão Conceitual. Disponível em: http://www.ufsm.br/gepeis/jogo.htm. Acesso no dia 21 de fevereiro de 2006.
CAMPOS, Maria Célia Rabello Malta. A importância do jogo no processo de aprendizagem. Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/entrevistas/entrevista.asp?entrID=39. Acesso no dia 20 de fevereiro de 2006.
KISHIMOTO, T.M. Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação. 6. ed. São Paulo: CORTEZ, 1994.
MALUF, Ângela Cristina Munhoz. A importância das brincadeiras na evolução dos processos de desenvolvimento humano. 2003. Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/opiniao/opiniao.asp?entrID=132. Acesso no dia 22 de fevereiro de 2006.
NEVES, Lisandra Olinda Roberto. O lúdico nas interfaces das relações educativas. Disponível em: http://www.centrorefeducacional.com.br/ludicoint.htm. Acesso no dia 20 de fevereiro de 2006.
NUNES, Ana Raphaella Shemany. O lúdico na aquisição da segunda língua. Disponível em: http://www.linguaestrangeira.pro.br/artigos_papers/ludico_linguas.htm. Acesso no dia 16 de fevereiro de 2006.
OLIVEIRA, Sâmela Soraya Gomes de, DIAS, Maria da Graça B. B. e ROAZZI, Antonio. O lúdico e suas implicações nas estratégias de regulação das emoções em crianças hospitalizadas. Psicol. Reflex. Crit. [online]. 2003, vol.16, no.1 [cited 29 March 2006], p.1-13. Disponível em: . ISSN 0102-7972.
SANTOS, Antonio Carlos dos. Jogos e atividades lúdicas na alfabetização. Rio de Janeiro: Sprint, 1998.
TEZANI, Thaís Cristina Rodrigues. O jogo e os processos de aprendizagem e desenvolvimento: aspectos cognitivos e afetivos. 2004. Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=621. Acesso no dia 16 de fevereiro de 2006.
VELASCO, Cacilda Gonçalves. Brincar: o despertar psicomotor. Rio de Janeiro: Sprint Editora, 1996
Juliana Tavares Maurício - Psicóloga pelo Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.


Desvendando dilemas da inclusão

Desvendando dilemas da inclusão. Para especialista, vale apostar em parceria entre escolas e famílias.

Em entrevista à Inclusive, Maria Antonieta Voivodic comenta a importância das expectativas familiares e da sua interação com o ambiente escolar no sentido de enfrentar os problemas reais que afetam o desenvolvimento das experiências educacionais inclusivas com pessoas com síndrome de Down e outras deficiências intelectuais. As questões foram elaboradas a partir de enquete realizada pela Inclusive em março deste ano. A enquete visava identificar os problemas reais e os falsos dilemas que interferem no processo de inclusão educacional e foi elaborado a partir de sugestões dos leitores, em alusão ao Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado em 21 de março. A entrevista tem como foco as questões pertinentes aos aspectos psicossociais apontados pela enquete e uma nova entrevista está sendo elaborada para abordar os aspectos relativos à formação dos professores, desenvolvimento de políticas públicas e aspectos legais de proteção ao direito fundamental da educação.
Maria Antonieta M. A. Voivodic é psicóloga, pedagoga e psicopedagoga. Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Diretora do Encontro – Centro Integrado de Desenvolvimento Infantil, onde, há mais de vinte anos, trabalha com a inclusão de crianças com deficiência. Professora de Pós-graduação do Centro Universitário Salesiano de São Paulo onde Coordena o Curso de Pós-graduação em Educação Inclusiva. Ministrou cursos de Inclusão para professores na Rede Municipal de São Paulo e Rede municipal de Campo Grande, no Instituto APAE de São Paulo e no SIEEEESP (Sindicato das Escolas Particulares de São Paulo). Autora do livro “Inclusão Escolar de Crianças com Síndrome de Down” e co-autora do livro “O Aprender e o Não Aprender”, tendo publicado vários artigos sobre educação inclusiva em revistas especializadas.

Inclusive – É uma queixa muito comum nas famílias de alunos com síndrome de Down a constatação de uma baixa expectativa em relação aos potenciais cognitivos destes alunos por parte dos professores e a isto é debitado muito de suas dificuldades. Ou seja, é como se houvesse uma quebra de confiança a priori na relação entre educadores e educandos. Como entende a situação e que tipo de ação educacional e/ou extra-escolar poderia resultar numa visão mais realista e menos pessimista dos potenciais destes alunos?

Maria Antonieta – Infelizmente essa queixa é real. Constatamos que há ainda uma baixa expectativa em relação às possibilidades educacionais desses alunos. A síndrome de Down (SD) ainda é associada à condição de inferioridade, devido a dois importantes fatores. Um deles atribuo à falta de informações sobre a síndrome. Esse fator, em parte, foi superado nos dias de hoje, pois o conhecimento adquirido sobre a síndrome é maior e mais acessível, pelo menos a uma parte da população, embora a grande maioria da população, mesmo conhecendo a síndrome, desconhece as possibilidades das pessoas portadoras da síndrome. Outro fator determinante no preconceito e estereótipo em relação à SD, deve-se à visão da deficiência nos paradigmas do modelo médico, que, com certeza, perdura até hoje, considerando que os problemas da pessoa com deficiência estão em sua própria condição, sendo necessário portanto “tratá-las” para adequá-las aos padrões normais da sociedade. Este quadro só será revertido quando houver uma mudança no paradigma em relação à deficiência, passando a encará-la através do modelo social, que preconiza que os problemas da pessoa com deficiência não estão apenas no indivíduo, mas nas características da sociedade, que cria problemas para a pessoa com deficiência , colocando-a em desvantagem em virtude de ambientes restritivos e discriminatórios. A deficiência em si, no caso a deficiência cognitiva, não deve ser um fator que impeça o aluno de ter as mesmas oportunidades educacionais. O atendimento educacional da criança com SD não pode ser visto através de rótulos e classificações, pois o uso desses estereótipos enfatiza apenas as dificuldades e desvia a atenção de outros fatores que são importantes e podem facilitar a aprendizagem. A baixa expectativa dos professores em relação à aprendizagem desses alunos se concretiza em menor grau de exigência na aquisição de determinadas aprendizagens.
Nesse sentido, Rosenthal e Jacobson realizaram uma experiência interessante, que se tornou famosa. Numa escola de ensino fundamental, no início do ano escolar, aplicaram a todas as crianças das dezoito salas de aula da escola um teste de inteligência. Em cada sala de aula, os psicólogos escolheram 20% das crianças por sorteio, e disseram aos seus professores (que não sabiam da escolha por sorteio) que os resultados do teste destas crianças indicavam que elas poderiam apresentar surpreendentes resultados positivos no desempenho intelectual durante o ano escolar. A única diferença entre estas crianças e as demais era, portanto, a expectativa criada na mente dos professores. No final do ano escolar, todas as crianças da escola foram retestadas com o mesmo teste de inteligência. Em geral, as crianças, cujos professores foram levados a crer que elas mostrariam um grande crescimento no desempenho intelectual, tiveram resultados no teste bem superiores aos das demais crianças da escola. Aquelas crianças, no início do ano letivo, não se destacavam das demais. Mas, esperando que se comportassem como crianças inteligentes e talentosas, os professores as trataram como se elas realmente fossem mais inteligentes e talentosas do que a média, e isto fez toda a diferença!
Vemos portanto que o “olhar” do professor em relação à possibilidade de aprendizagem do aluno, faz toda a diferença. Torna-se prioritário então uma mudança nesse olhar, para que ele se dirija não só ao indivíduo com deficiência, mas a todo o contexto de aprendizagem. Acredito ser fundamental a capacitação e o apoio aos professores para que essa mudança possa ocorrer. Essa capacitação não quer dizer que o professor necessite ser “especialista” em deficiência. Diversas escolas já se conscientizaram da necessidade desse apoio e estão buscando assessorias e capacitando seus professores.
É evidente que a mudança de paradigmas envolve uma mudança na sociedade. Só assim teremos a inclusão que almejamos, em que todas as pessoas, independente de terem ou não deficiência, sejam valorizadas dentro de suas possibilidades e tenham respeitado os seus direitos. Acredito, porém, que a educação, como fator de mudança e transformação do Homem, possa cooperar para que ocorra a mudança ideológica na sociedade. É preciso começar a desencadear a transformação, e creio que o melhor caminho, é começar pela educação.

Inclusive – Sabe-se que estas expectativas também tem como pano de fundo as relações familiares. Como a escola pode ajudar a reestabelecer estes vínculos de confiança em famílias vulneráveis para que os interessados finais, os próprios alunos, possam extrair o máximo proveito em seu processo de ensino-aprendizagem?
Maria Antonieta – As famílias também são atingidas pelo estigma em relação à Síndrome de Down. Esse estigma se reflete tanto na imagem que os pais constroem de sua criança com SD, como em sua reação a ela. Os pais, pertencentes à cultura na qual a pessoa com SD é estigmatizada, têm de seu filho com SD uma imagem carregada de preconceitos presentes nesse estigma. Assim, sua forma de relacionar-se com o filho é determinada pela reação a essa imagem.
Acredito que a família é fundamental para a inclusão da criança com deficiência. São as primeiras experiências da criança, vividas na família, as responsáveis em grande parte por seu desenvolvimento. A família precisa acreditar nas possibilidades da criança e “investir” em sua educação. Isso nem sempre ocorre, pois no caso das crianças com SD, essas primeiras experiências podem ficar comprometidas pelo impacto que produz na família a notícia de ter um filho com essa síndrome, que como já mencionamos, vem carregada do estigma.
Portanto desde o nascimento da criança, incluindo o momento da notícia, essas famílias precisam de apoio e orientação de profissionais. Os grupos de pais de crianças com SD também são de grande auxílio às famílias, pois são um espaço onde podem colocar suas angustias, trocar experiências e se sentirem apoiadas.
Em relação ao papel das escolas com as famílias das crianças com deficiência, acreditamos na grande importância de incluir a família no processo educacional da criança, mostrando suas possibilidades e potencialidades e não suas dificuldades, dando acolhimento e apoio aos pais.
Infelizmente em nossa cultura educacional os pais não são vistos como participantes do processo escolar da criança. Em relação ao aluno com deficiência, muitas vezes, a escola culpabiliza os pais pelas dificuldades apresentadas. Cria-se então um círculo vicioso, os pais culpam os professores por ter baixas expectativas e os professores culpam os pais por não estimularem adequadamente a criança.
Acredito que só alcançaremos resultados efetivos na inclusão do aluno com deficiência e no seu processo de ensino-aprendizagem, se envolvermos a família e aprendermos a ouvir e apoiar os pais. É fundamental que a família e a escola se tornem parceiras nesse processo.

Inclusive – A superproteção é vista muitas vezes como um impeditivo à autonomia da pessoa com síndrome de Down, da infância à idade adulta. Como essa autonomia, sendo um processo que atravessa o desenvolvimento psicológico da pessoa, pode ser trabalhada e desenvolvida ao longo da vida escolar dos alunos com deficiência intelectual?

Maria Antonieta – A super proteção também é resultado de uma baixa expectativa em relação às possibilidades da pessoa com SD. Super protejo e não tenho exigências quando não acredito na possibilidade do outro. A super proteção não é exercida só pelo pais, mas também pela escola. Em relação às pessoas com deficiência intelectual, ainda há o mito de que são “eternas crianças”. Isso não é verdade. É fundamental uma reformulação dessas crenças e estereótipos. As pessoas com deficiência intelectual, assim como todas as pessoas, tem fases em seu desenvolvimento e, em cada fase, apresentam novas necessidades de estimulação e novas exigências devem ser colocadas pelos familiares e educadores. É necessário que os objetivos e estratégias educacionais sejam modificados em cada fase. Só assim seu desenvolvimento ocorrerá e se tornarão pessoas autônomas e preparadas para uma vida independente.
Um fator que coopera com a super proteção e falta de autonomia da pessoa com deficiência é o isolamento social que muitas vezes a família, e até a escola, impõem à esses indivíduos. É fundamental que a pessoa com deficiência tenha uma vida social, participando de grupos e de situações culturais e de lazer.

Inclusive – Muitas famílias temem pela violência que seus filhos podem sofrer nas classes comuns e apontam o buylling como um “fantasma” que ronda a inclusão escolar. Até que ponto esse fantasma existe mesmo ou trata-se de mais um argumento protecionista? Como as escolas estão trabalhando com a questão e que tipo de resultado tem se obtido no cotidiano escolar?

Maria Antonieta – O buylling é um problema sério e tem estado cada vez mais presente em nossas escolas, principalmente na fase da adolescência. Ele não acontece só em relação às pessoas com deficiência, mas atinge qualquer diferença. Vivemos em uma cultura que preconiza padrões, em relação à estética, em relação à comportamentos e também em relação à posse de bens materiais. A mídia tem grande responsabilidade em criar e reforçar esses padrões. A pessoa que, por qualquer motivo, não atende esses padrões, passa a ser vista como “destoante” e muitas vezes se tornam vítimas de buylling.
Vivemos também em uma época em que os padrões morais estão mais frouxos. Os pais e as escolas tem se preocupado muito mais com a informação do que com a formação do indivíduo. Esse é um fator que tem cooperado para o aumento assustador do buylling em nossas escolas.
Porém acredito que o buylling não deva ser visto como um “fantasma”, que seja mais um impeditivo à inclusão escolar. Entendo até, e compartilho, com a preocupação dos pais de alunos com deficiência. Porém creio que o buylling deve ser enfrentado de frente e combatido por pais e educadores, que não podem se omitir diante desse problema. Atitudes protecionistas só dificultarão a inclusão escolar.
Acredito que a inclusão das pessoas com deficiência nas escolas regulares, desde a fase inicial da educação formal, se bem conduzida e trabalhada pelas escolas e famílias, propicie uma melhor aceitação e valorização da diversidade humana, estimulando a cooperação e solidariedade e diminuindo o comportamento de buylling.

Inclusive – A questão do preconceito e atos discriminatórios foi muito debatida no ano passado em função da pesquisa sobre preconceito na escola realizado e divulgado pela FIPE. Como avalia as campanhas contra o preconceito e quais os desafios efetivamente importantes a serem enfrentados para vencê-lo? Em casos de preconceito e atos discriminatórios no ambiente escolar, que atitude cabe à família e à escola nesse tipo de situação?

Maria Antonieta – Temos que considerar que o preconceito em relação às pessoas com deficiência tem raízes na história da humanidade. Portanto as mudanças nesse contexto são lentas e exigem luta, assim como na história da humanidade sempre houve lutas para a garantia de todos os direitos humanos. Todos os indivíduos, com deficiência ou não, devem ter seus direitos respeitados e fazer parte de fato da sociedade. A inclusão pressupõe mudanças nas atitudes das pessoas, na estrutura social e na educação. Pressupõe a valorização da diversidade dentro da comunidade humana.
Nesse sentido são bem vindas as ações que combatam o preconceito e o estigma em relação à deficiência. A mídia, com seu poder de atingir grande número de pessoas e promover mudanças de comportamento, pode ter uma grande participação no combate ao preconceito. Porém ações sensacionalistas e que estimulem o assistencialismo, só geram maior preconceito e exclusão das pessoas com deficiência. Ao contrário, ações que mostrem as possibilidades das pessoas com deficiência e denunciem atitudes de desrespeito aos seus direitos, trazem grande contribuição no combate ao preconceito.
Acredito que todo preconceito e desrespeito aos direitos da pessoa com deficiência, no ambiente escolar ou não, deva ser denunciado ao poder público. Preconceito e discriminação é crime e, como crime, tem que ser severamente combatido. Não podemos mais, com o nosso comodismo, ser coniventes com esse crime. Temos que fazer parte dessa luta para que as pessoas com deficiência tenham seus direitos respeitados, estejam realmente incluídas e fazendo parte da sociedade, acreditado que só com a inclusão seremos mais dignos de nossa humanidade.


Preconceito linguístico ou social? A discriminação na fala do cidadão

                                                 Por Erika de Souza Bueno *
Antes de começarmos a refletir sobre as características das duas formas de preconceitos apresentadas no título deste artigo, é interessante sabermos o que a lexicografia (técnica de elaboração de dicionários – Aulete Digital) considera como definição para a palavra preconceito:
1. Opinião ou ideia preconcebida sobre algo ou alguém, sem conhecimento ou reflexão; Prejulgamento. 2. Atitude genérica de discriminação ou rejeição de pessoas, grupos, ideias etc., em relação a sexo, raça, nacionalidade, religião etc. (preconceito racial); Intolerância.3. Ideia ou juízo fundado em crendices e superstições; Cisma. (Aulete Digital).
Desta forma, pode haver manifestação de ideias preconcebidas, assim como comportamentos preconceituosos, os quais poodem inibir a livre manifestação do pensamento por meio de ações e, até mesmo, por meio da fala, ao se expressar de uma maneira que pode não agradar a quem a mensagem é direcionada. Aqui, neste caso, tem-se características de preconceito linguístico, ou seja, uma discriminação ou intolerância que atinge diretamente o indivíduo-falante, que não se sente livre para expressar seus pensamentos, opniões e críticas, desencadeando uma série de problemas sociais, uma vez que a cidadania não se torna efetiva diante deste tipo de preconceito.
Sabe-se que este assunto é pouco comentado, pois é comum termos mais acesso a materiais e conteúdos sobre o preconceito social, o qual, como veremos a seguir, tem “vínculos diretos” com a forma de discriminação linguística.
Segundo Marcos Bagno, a ideia de preconceito linguístico igual ao preconceito social, surgiu por volta do ano III a.C, em que os formuladores da Gramática Tradicional defendiam que a “Língua Exemplar” só era falada por um grupo restrito de pessoas, a saber: pessoas do sexo masculino, livres (não escravos), membros da elite cultural, cidadãos (eleitores e elegíveis), membros da aristocracia política e detentores da riqueza econômica.
Estes mesmos formuladores também perceberam duas grandes características das línguas humanas, que são a variação no espaço e mudança no tempo, mas essa percepção foi tida de forma negativa. Os primeiros gramáticos concluíram que a língua falada era caótica, uma vez que se ausentava de regras e, por isso, deduziram que somente a língua literária merecia ser estudada para servir de modelo do bom uso do idioma, tendo assim uma visão pessimista da mudança natural que ocorre em nossa língua.
Ora, a língua é viva e sabemos que é característica inata dos seres vivos se modificarem. Um fato que comprova esta afirmação é o chamado neologismo, estudado em várias aulas de língua portuguesa. Neologismo é, basicamente, o uso de palavra ou expressão nova necessária para estabelecer comunicação. Há, na verdade, muitas palavras novas que advêm dos avanços tecnológicos ou das fantásticas e indispensáveis descobertas medicinais.
Não se pode cegar diante da verdade, ainda que inquietante, de que muitas palavras novas são inseridas em nosso idioma pela grande massa populacional, ou seja, não são inseridas por estudiosos ou defensores da língua e, sim, pessoas comuns, muitas vezes de escolaridade pequena. Isto ocorre porque as pessoas se veem em frente à necessidade de comunicação, precisam conversar, transmitir um pensamento, se fazerem entendidas.
Isto é natural, com o tempo vão surgindo novas palavras, é um processo que não pode ser impedido, ridicularizado e nem esnobado em nossas escolas, pois elas acompanham o desenvolvimento do bom cidadão.
Este mesmo cidadão necessita falar e ser aceito na sua fala, não, simplesmente, pela construção oracional que teve capacidade de realizar, mas sim pelo significado e importância que há nas suas palavras dentro de determinado contexto, ainda que tidas, por alguns, como sendo simplistas ou incorretas gramaticalmente.
Desta forma, há que defendermos que o sujeito falante deve ser ouvido e entendido, ainda que este desconheça regras da gramática tida como padrão e, com isso, a cidadania de todos seja zelada, a qual contribui para uma vida melhor em sociedade.
* Consultora-Pedagógica de Língua Portuguesa do Planeta Educação. Professora de Língua Portuguesa e Espanhol pela Universidade Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos de língua portuguesa e família. Editora do Portal Planeta Educação (http://www.planetaeducacao.com.br/).
Fonte: Planeta Educação

MOMENTO CULTURAL - 100 ANOS DO TJA

O Ano 100 do Theatro José de Alencar está marcado por um diálogo com a história do próprio teatro, de Fortaleza e do Ceará. Diversas companhias do Ceará, que passaram e passam pelo palco, retomam seus lugares para fazer o TJA 100% ocupado, um teatro aberto para o mundo. As comemorações do centenário, aberto em junho de 2009 e em cartaz até dezembro de 2010, abre-se em uma constante: trabalhar com o que temos e o que sabemos, mas também com o que não conhecemos, o que está por vir, o que pode ‘tornar-se’. Neste mês, 15 espetáculos entram e permanecem em cena nos mais diversos usos e ocupações dos palcos. Entre eles, a Série Permeio Maracanaú Encena engloba cinco peças teatrais.
Além dos espetáculos, o TJA recebe três mostras que revelam os bastidores do teatro. Entrar no camarim, conhecer a intimidade do artista por meio de livros, revistas, recortes de jornal, fotos, roupas e objetos e ainda saber mais sobre funcionamento da casa. No projeto Camarins Abertos, aberto ao público de 9h às 17h, é possível desvendar o Palhaço Trepinha com fragmentos da história do mais antigo palhaço em atividade no Ceará, José Gomes de Souza.
No Camarim 02 também vale ver a instalação Santo Ofício que conta a história do Tribunal do Santo Ofício, a Inquisição instituída pela Igreja Católica por meio de mais de 70 peças em miniaturas da Cia. Epidemia de Bonecos. E no camarim 04 têm “Bravíssimo – 40 Anos de Teatro de Ricardo Guilherme”, uma homenagem ao ator, diretor e dramaturgo. A partir do dia 17, o Grupo Bagaceira ocupa mais um camarim referenciando seus 10 anos de atividades cênicas.
Confira aqui o que está em cartaz de produções locais nos palcos do TJA em maio:
•O auto do lero-lero/ESTRÉIA - Aos domingos, 17h, no Teatro Morro do Ouro. Ingresso: R$ 5 e 10 – Saiba Mais: 8749-8338 + souarte@gmail.com
Grupo de Teatro Pé-no-Chão estréia seu novo espetáculo. A peça de Roberto Salles Moreyra, adaptada pelo grupo, fala da iluminação do pensamento através da descoberta da leitura. João da Caverna procura um grande tesouro. Cava, cava até se deparar com Zecacão, que tenta convencê-lo a morar no Mundo do Silêncio, das pessoas que não sabem ler. Surge Angelino que enfatiza a importância de estudar, aprender a ler e escrever: “Pois o verdadeiro tesouro que você procura está no conhecimento, que nos transforma por dentro e muda nossa vida”. Assim, propõe-lhe a missão de salvar o povo do Mundo do Silêncio, o que consegue com a ajuda do Livro Falante. João vence Zecacão com o esclarecimento do povo, usando como principal arma de libertação a leitura, deixando muito orgulhosa e feliz sua mãe Maria dos Zanzóis Pereira, que, antes, o ignorava na busca de seu tesouro por ser incauta, mas sã.
•Deus Verme/ESTRÉIA - Dias 5, 6 e 7 de maio, 20h, palco principal. Ingresso: R$ 5 e R$ 10 – Saiba mais: (85) 9104.3360
Este espetáculo abre a trilogia comemorativa de uma década de trabalho da companhia - Arte de Viver. A história de um ser humano comum, atormentado por suas memórias, que decide romper com seu passado para encontrar a tão sonhada felicidade, mesmo sem saber ao certo o que isso significa. Em seu caminho, entre devaneios do seu mundo real e o onírico fantástico, encontra deuses, musas, dentre outras criaturas, e acaba se apaixonando por uma imortal. Com um amor proibido e uma maldição irreversível, nosso herói terá que escolher entre se tornar imortal e ter todas as regalias de um deus ou viver a mortalidade e todas as suas mazelas ao lado de sua amada. Saiba mais: (85) 9104.3360.
•A Ficção - Sextas 7, 14 e 21 de maio, às 19h. Ingresso: R$ 5 e R$ 10 12 anos
A Cia. Teatro com Vida apresenta texto de Fernando Lira. Com direção de Ronaldo Costa e elenco formado por Amenhotep Rodrigues, Luiz Carlos Pedrosa. No Teatro Morro do Ouro. Saiba mais: (85) 8884.1217 8620.0113
•Série Permeio Maracanaú Encena - O Ponto de Cultura Permeio do Grupo Garajal, de Maracanaú (85 - 8607.5502 - grupogarajal@yahoo.com.br) apresenta aos sábados uma série de espetáculos:
8 de maio
“O Santo e a Porca” – com a Trupe Cangaias, às 16h, na Sala de Teatro Cena (anexo TJA, 80 lugares)
“Esperando Godot” da Shubaca Cia de Teatro, às 18h Sala de Teatro Cena (anexo TJA, 80 lugares).
15 de maio
“A Cantora Careca” com o Grupo Rony Fãs, às 16h, na Sala de Teatro Cena (anexo TJA, 80 lugares)
“Prometeu Acorrentado” como o Grupo Gama, às 17h, na Praça Mestre Boca Rica Cena (anexo TJA)
“Entre Quatro Paredes” com o Grupo Imperatriz Nordestina de Teatro Experimental e Pesquisa , às 18h, na Praça Mestre Boca Rica Cena (anexo TJA)
•Râmlet Soul nos dias 12, 13, 18, 21, 25 e 26 de maio em espaços vários do TJA. Com sessões em dias às 18h e outros à meia-noite. R$ 5 e R$ 10. 18 anos - Saiba mais: tarrais@bol.com.br.
Espetáculo construído por um coletivo de artistas e não-artistas multimídia. Teatro-festa, teatro-rave. O mito da fundação da consciência, de Hamlet, revisitado em tempos de subjetividades à deriva, um passo adiante do Hamlet-Máquina, do apocalíptico Heiner Muller, em direção a uma nova compreensão da teatralidade do mundo (no qual necessariamente todos atuamos e construímos novos sentidos). Somos Soul por crer na alma que dança, na ginga beat, maracatu, remelexo. Mas para isso precisamos percorrer nossa viagem, da rua idealista, prometéica (shakespereana) à "temporada do inferno" do porão de nosso grande teatro, onde Shakespeare e sua Verdade são velados, dando lugar ao homem-máquina: mas na realidade produzindo a alquimia de um novo homem possível, real e, sobretudo, plural. Nesta temporada, o diálogo com o metateatral se adensa por incorporarmos física e simbolicamente o TJA e seu complexo entorno social. Direção: Thiago Arrais.
•10 Anos do Grupo Bagaceira - Nos dez anos do grupo Bagaceira de Teatro apresenta em vários espaços cênicos do TJA (palco principal, porão e calçada) três de seus espetáculos em programação aberta ao público, além da mostra sobre a decana trajetória e elementos do coletivo no Camarim 04, dentro da série Camarins Abertos (no porão do TJA), que fica em cartaz para visitações. O grupo apresenta espetáculos e esquetes:
“Tá namorando, tá namorando”, no dia 17, às 15h30 no palco principal, gratuito
“Lesados”, dia 17, às 18h30, na calçada do TJA
“Esquetes”, dia 17, às 20h porão + abertura da mostra “Camarins Abertas” pelos 10 anos do Bagaceira. Saiba Mais: (85) 3472 2131 +
•O abajur lilás – Nas três primeiras sextas de maio, 19h, na sala de teatro (80 lugares). Ingresso: R$ 10 e 20. 18 anos. Saiba mais: Edson Cândido (85) 88341071 + www.grupoimagensdeteatro.blogspot.com
Quando o abajur novo de Giro é quebrado, as três prostitutas são as suspeitas imediatas e passam a ser torturadas. Encenação, em formato cabaré, do texto de Plínio Marcos sobre o Brasil da ditadura militar. De Plínio Marcos, com o grupo Imagens. Direção: Edson Cândido. Elenco: Kátia Camila, Mara Carvalho, Lana Gurgel, Eveliny Melo, Clara Luz, Gilson Tenório, Beto Menêis e Fábio Frota. Núcleo de intervençâo: Cinthia Dayse, Tom Jones, Júnior Martins, Renata Cavalcante, Aluisio Barbosa.
•Retalho, Rebotalho dias 18 e 19 de maio, 19h, no Teatro Morro do Ouro. R$ 4,00 e 8,00 – 12 anos. Saiba mais: (85) 8663.5111 + 8508.3239
No enredo, Afonso vive em mundo criado a partir de fragmentos, retalho de vivência. Da Cia. Arrumação. Texto: Clarisse IIgenfritz. Direção: Jorge Ramos. Elenco: Fernanda Girão, Geane Albuquerque, Jhonatan Santos, Lidiana Farias, Paulo Victor, Suianne Duartt e Thiara Crispin.
•Apareceu a Margarida todas as últimas terças do mês até dezembro de 2010, às 19h – Solo pelos 40 Anos de Teatro de Ricardo Guilherme. R$ 5 e 10. 14 anos. Saiba Mais: ricardo-guilherme@uol.com.br + (85) 9159.6022
A peça tem a sua ação dramática passada em uma sala de aula, onde o papel de aluno cabe à platéia representar. A montagem pode ser definida ainda como uma metáfora que extrapola o contexto educacional para encarnar a opressão humana, a tirania e o autoritarismo exercidos em múltiplas circunstâncias e nas mais diversas formas de comportamento pessoal, social e político. Nesta encenação o texto adquire como característica marcante a ambigüidade da personagem Margarida, professora de ensino fundamental que exerce o seu poderio como síntese e simbolo do arbítrio mas que também expressa contradições, revelando as inseguranças e os medos de quem, com peripécias tragicômicas, detém o poder.
•As Bondosas, em todas as últimas quartas do mês até dezembro de 2010, às 19h, no Teatro Morro do Ouro (anexo do TJA, 90 lugares). R$ 5 e R$ 10. 16 anos Saiba mais: 85 – 9627 8229/ 3226 4597
Comédia da Cia. Lua de Teatro, com sucesso estrondoso desde a estréia em 2004, a partir da trama que envolve existencialismo, filosofia e uma boa história sobre a alma feminina, sob direção de Ueliton Rocon, cujo tom cômico dialoga com o mito da mulher de Ló e conta sobre o que acontece quando as pessoas percebem a necessidade de percorrer outros caminhos, mas se sentem presas àquilo que já conhecem. Na trama, o trio de carpideiras (mulheres que acompanham enterros aos prantos, sem, necessariamente, conhecer o morto) formado por as personagens Astúcia (Roberto Maur), Angústia (Alcântara Costa) e Prudência (Ueliton Rocon) - além de Jerusa Nascimento (Servente) -, vive completamente apegado ao modo de vida no qual sempre estiveram. São figuras típicas (e até certo ponto, míticas) do interior brasileiro. A vida das carpideiras/rezadeiras transcorre aparentemente normal, enquanto choram, rezam, cantam e desfiam a vida alheia (como toda boa beata), até que certo dia elas são encarregadas de velar o corpo da filha mais jovem de uma família aristocrática. No decorrer do velório, as três se deparam com uma série de hilárias e incomuns situações, que as levarão a confrontar as suas crenças e convicções e a descobrir importantes revelações.
•Capitu conta Capitu em cartaz na última quinta de maio, dia 27, às 19h, no Teatro Morro do Ouro. R$ 5 e 10 - 12 anos. Saiba mais: (85) 8889-4183
Da infância à velhice, a versão da própria Capitulina para a história de Dom Casmurro, de Machado de Assis, a partir de texto da jornalista Adísia Sá com adaptação teatral de Ceronha Pontes e direção de Ana Marlene, o solo com a atriz Ana Cristina Viana encara o diário de uma CAPITU que só agora, 107 anos depois, resolveu quebrar o seu silêncio. Nesse contexto, Capitu ganha o direito de falar por si mesma, em versão na primeira pessoa, responsável e capaz de defender-se das acusações que a fizeram culpada por décadas.
•O Pagador de Promessas, dias 08 e 09 de maio, às 18h, no palco principal do TJA – Ingressos: R$ 5 e R$ 10. Saiba Mais: Larissa Cândido (85)87932930 - larissacandido@hotmail.com e Chirliane Alves (085) 87882369
A décima turma-concludente do Curso Superior em Artes Cênicas/Ifce apresenta texto de Dias Gomes. O Pagador de Promessas tem uma linha intensa que culmina numa tragédia. Um homem do sertão, eivado de sua inocência, luta, em nome da sua honra, contra toda uma coletividade para pagar uma promessa, feita para uma santa católica, num terreiro de candomblé. Direção: Fernando Lira. Elenco: Felipe Franco, João Igor, Jeniffer Suzana, Chirliane Alves, Simone Sousa, Juliana Maia, Danilo Castro, Amidete Alves, Larissa Cândido, Rafaela Diógenes, Danton Brás, Bernardo Victor, Ana Paula Prudêncio, Glêycie Trigueiro, Elvis Jordan, Mara Alcantara e Gustavo Lopes.
•“A Noiva e o Condutor”, dias 27 e 28 de maio, às 19h na Sala de Teatro. R$ 4 e R$ 8. Livre. Saiba mais: 8804.5060 9617.7028
O espetáculo “A Noiva e o Condutor” é um musical a partir de texto baseado na revista radiofônica “A Noiva do Condutor”, do músico Noel Rosa, com adaptação e atuações do Coral das Artes Cênicas – IFCE, em direção Geral e musical de Aldrey Rocha. “A Noiva e o Condutor” parte de características e elementos bem brasileiros para falar um pouco da história do país, das pessoas da época de apogeu do samba, bem como suas vestimentas e costumes. Além disso, o trabalho favorece a pesquisa do samba, gênero musical que foi e ainda é tão importante na formação cultural brasileira.

terça-feira, 4 de maio de 2010

CONTAÇÃO DE HISTÓRIA

As histórias são fundamentais na formação educacional da criança, em especial no início da escolaridade. Para o desenvolvimento de tal atividade deve ocorrer todo um planejamento, pois se trata de um momento mágico que a criança irá vivenciar e absorver algo que venha a identificar com ela naquele instante.
Por ser considerada uma atividade tão importante na educação infantil, sugerimos aos professores que lidam com crianças dessa fase algumas orientações que poderão beneficiar e conseqüentemente propiciar o desenvolvimento contínuo da criança no desenvolvimento da linguagem.

 1. Contar histórias diariamente;
2. As histórias podem ser repetidas, dependendo do interesse dos alunos;
3. Alguns critérios devem ser seguidos como: livros com poucos textos, linguagens simples, maior número de ilustrações, sendo essas grandes e sugestivas e que satisfaçam o desejo dos alunos.
4. Baseando em informações passadas por pais em relação ao aluno, buscar histórias que venham ajudar a resolver um problema em questão. Por exemplo: Se uma criança recusa a comer verduras em casa, selecione um tema voltado para a importância dos alimentos, de forma que a criança se identifique e o professor ajude a família, visto que a escola também tem essa função.
5. Ao planejar o momento de contar histórias, determinados aspectos são fundamentais e devem ser analisados:
• Local: as histórias não devem ser contadas apenas dentro da sala de aula, pelo contrário, ambientes diferenciados tornam o momento mais agradável (pátio, quadra, jardim, sentado em degraus, quiosques, entre outros).
• Posição: Os alunos devem estar em uma posição confortável e a professora deve ficar em uma posição que permita a todos os alunos a visualização do livro e sua dramatização.
• Apresentação da história: é fundamental que a professora conheça o texto da história, pois o ideal é que conte a história com suas próprias palavras, utilizando uma linguagem simples e um tom moderado, de forma que todos os alunos possam escutar de forma agradável.
• Horário: não deve existir um horário estipulado para o momento da história, deve acontecer de acordo com a necessidade e até mesmo de forma surpreendente para o aluno. Conforme uma situação ocorrida no ambiente, o professor poderá utilizar certa história que encaixe naquele instante, de forma que venha contribuir na resolução e amadurecimento da criança.
• Motivação: cabe ao professor deixar como suspense a história a ser contada, de forma que venha despertar a curiosidade em seus alunos bem como a motivação do momento.
Ressalta-se que muitas vezes, apesar do professor ter feito todo um preparo para esse momento, acontece das crianças ficarem dispersas. Sendo assim, sugere-se que o professor busque a participação das crianças fazendo “questionamentos” de forma que elas possam interagir com a história que está sendo contada.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

MOMENTOS EM SALA DE AULA

"A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe." (Jean Piaget)

                                                                    Turma 2º Ano - Fortim
"O importante da educação não é o conhecimento dos fatos,
mas dos valores." (Dean William R. Inge)
"Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim,
           vida no sentido mais autêntico da palavra". (Anísio Teixeira)
                                                          
"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda."
                                                                                                                             (Paulo Freire)

PROJETO LENDO VOCÊ FICA SABENDO - FORTIM

FESTA DE ENCERRAMENTO DO PROJETO EM 2009.